Ela coleccionava abandonos
como alguns coleccionam porta-chaves.
Ele juntava lágrimas numa caixinha
como outros juntam fotografias para um album.
Ela recolhia amarguras
como certas pessoas recolhem cartões
caídos à porta das lojas.
Ele acumulava desilusões
como alguém acumula dinheiro num cofre-forte.
Conheceram-se,
um dia, numa feira de trocas
e decidiram deitar fora o supérfluo,
ficar apenas com o etéreo…
